HOMENAGEM DIA DAS MÃES: Mãe de jovem com Síndrome de Down concilia magistratura e maternidade

Ser mãe significa se doar, mudar sua vida em prol do outro, direcionar seus pensamentos e amor a uma pessoa. É se dedicar, cuidar e educar. A chegada de um filho sempre gera expectativas e medos, especialmente quando se está esperando uma criança especial. Maria Mazarelo é mãe da jovem Maralise Farias, de 19 anos, portadora do cromossomo do amor – a Síndrome de Down.

Atualmente, Maria é juíza da Vara de Violência Doméstica e Família do município de Rondonópolis. Ela conta que quando a filha nasceu estava iniciando sua carreira na magistratura e que a notícia de uma gravidez naquele momento foi uma surpresa, que se tornou maior ainda quando da descoberta da trissomia.

“Recebê-la no momento em que ela chegou, no início da magistratura, quando a gente não pensava jamais que a maternidade seria possível, foi surpreendente. Primeiro você descobre que terá uma filha diferente e depois que terá que lidar com situações que não se pode prever. Ela nasceu com a saúde frágil e precisou passar por diversas cirurgias ao longo da vida”, contou.

Lidar com a maternidade e início de uma nova fase profissional levou Maria a incluir a filha em todas as suas atividades dentro e fora do trabalho. Uma forma que encontrou para cuidar sozinha da pequena e, ao mesmo tempo, da carreira que ganhava novos rumos. “Com 40 dias de nascida eu já estava de volta ao trabalho, então levava ela no carrinho e colocava em baixo da minha mesa no fórum. A gente não cria filho completamente sozinha, as pessoas ao redor acabam fazendo parte disso. Todos os funcionários dos fóruns que eu já passei fizeram parte da vida dela”.

Maralise hoje é uma jovem com opinião própria, trabalha com a mãe no fórum da cidade e sonha ser juíza no futuro. Ao ser questionada sobre como é trabalhar com a mãe, Maralise sorri e diz: “É muito legal, quero ser juíza e minha mãe me ajuda muito. Eu amo ela”. A jovem é conhecida onde mora, além de trabalhar no fórum de Rondonópolis, possui um canal no YouTube onde conta seu dia a dia e suas aventuras ao lado da mãe.

“Eu como mãe, só tenho que proporcionar todos os recursos que possíveis para que ela leve uma vida normal. São anos construídos e dedicados a ela e disso não me arrependo. Colher o fruto dessa dedicação é hoje poder falar dela – que superou as dificuldades e agora tem um emprego e realiza todos os trabalhos que são destinados a ela”, orgulha-se Maria Mazarelo.

De forma geral, pessoas com a síndrome têm muitas capacidades, só precisam de mais tempo e incentivo para desenvolvê-las “O preconceito nada mais é que a rejeição a um ser que é diferente. Ela me ensinou que hoje eu posso conjugar todos os verbos e em todos os tempos. Por meio dela eu passo a real mensagem do é que o amor”, concluiu Maria Mazarelo.

A história da juíza Maria Mazarelo é exemplo de amor maternal e da luta de muitas mães, que enfrentam adversidades do dia a dia para conciliar o trabalho com a criação e cuidados daqueles que são parte essencial de suas vidas, seus filhos. Inspirada nisso, a Associação Mato-grossense de Magistrados (AMAM) parabeniza todas as mães pelo seu dia, celebrado em 12 de maio, em especial às magistradas – que mesmo diante dos inúmeros compromissos advindos do exercício da profissão mantém firme seus laços de afeto.

 

Foto: Helder Faria